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Segundo Caderno -O Globo - 22/07/2002

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http://oglobo.globo.com/Arquivo/Suplementos/20020722/SegundoCaderno/35275614.htm

Duas vozes e uma bênção


João Máximo

Os fãs de Bing Crosby e Frank Sinatra — os quais, por menos que o leitor acredite, ainda são muitos — podem pôr seus cartões de crédito a postos para adquirir as duas coleções por enquanto só encontráveis nas importadoras: CDs com tudo que cada um dos dois cantou no cinema, Crosby desde 1930, Sinatra desde 1941. São gravações divididas entre as lançadas comercialmente pelas gravadoras Decca, Columbia, RCA, Capitol e Reprise, e as que foram extraídas das trilhas sonoras dos filmes, através de sofisticado reprocessamento digital. Estas, raríssimas. Algumas sequer incluídas nas edições piratas que as respectivas sociedades produzem.
A coleção de Crosby, intitulada “Going Hollywood”, está saindo aos poucos, um CD duplo de cada vez, três volumes já à venda, o quarto previsto para o fim do ano, tudo por conta do selo tcheco Jasmine. O projeto gráficoé modesto e o texto informativo, resumido, mas os dados técnicos são suficientes. Preço nos Estados Unidos de cada CD: US$ 22,95. Já a coleção de Sinatra vem completa, numa caixa com seis CDs, esforço conjunto dos selos Reprise, WEA e Turner. Ao contrário da de Crosby,é graficamente luxuosa, muito ilustrada, com livro de capa dura reunindo seis ensaios de especialistas sobre o cantor, o ator, a voz, os filmes, os discos, as canções. Preço da caixa: US$ 114,95.

Caixa de Sinatra tem raridades de filmes

Sinatra, como Crosby, sempre se cercou de bons compositores em seus filmes. No início, era Jule Styne quem o servia: “I fall in love too easily”, “What makes the sunset?”, “Time after time”, “Three coins in the fountain” (também Oscar de melhor canção, a voz de Sinatra introduzindo-a durante os créditos de “A fonte dos desejos”, de 1954). Depois, quando Jimmy Van Heusen, que fora municiador de Crosby, brigou com o letrista Johnny Burke e passou a compor com Sammy Cahn, ex-letrista de Styne, o repertório de Sinatra mudou. Van Heusen se tornaria o compositor que ele mais gravaria. Feitas para filmes: “All my tomorrows”, “To love and be loved”, “Not as a stranger”, “You, my love”, “My kind of town”, “All the way”, “High hopes”, estas duas também premiadas pela Academia.

Todas essas canções estão na caixa de Sinatra, que inclui as feitas para filmes mas não usadas (caso de “The man with the golden arm”); as de filmes que não aconteceram (casos do “Carrossel” de Sinatra, e não o de Gordon MacRae); e as nunca lançadas comercialmente (caso da ouvida pela voz de Sinatra, num bar gay, numa das cenas-chaves de “Tempestade sobre Washington”, de 1962); e takes raros que jamais saíram do celulóide ( bootlegs à parte), com destaque para Sinatra e Doris Day cantando juntos em “Corações enamorados” (1954). Quase que se pode dizer que, a exemplo dos crosbymaníacos, os sinatrólogos também não têm do que se queixar. Mas onde está “Farewell Amanda”, de um Cole Porter esquecido, que Sinatra canta em off em “A costela de adão” (1949)?


Vamos esperar pelo lançamento desses CDs aqui no Brasil
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S V Peluzio Jr